comparação

 

dizem que só se comparam coisas semelhantes…

mas dizem que não devemos nos comparar com as pessoas…

só que é tão difícil não identificarmos, quase instintivamente, nossas parecências:
olhos, mãos, respiração e pulsação…
que nos sentimos, sim, autorizados à comparação.

é quando nos assustamos ao ver, de repente, que aquele outro, tão parecido conosco
é rude
ou delicado
simplório
ou fascista…
é quanto vemos uma diferença gritante e desconfortável
mesmo sendo, nós e os outros, iguais em
em olhos, mãos, respiração e pulsação.

e isso nos faz pensar no valor da comparação…

considerarmo-nos frente aos outros nos faz
mais e menos
ao mesmo tempo
melhor e pior
ao mesmo tempo

e isso nos faz pensar no valor da comparação…

nascemos únicos, incomparáveis
depois nos misturamos e queremos ser vistos como uma parte igual, pertencente ao todo, uma espécie de fração ideal.

é então que queremos achar
a todo custo essa igualdade.
é então que nos comparamos…
é então que nos asfixiamos!

e é então que renascemos:
é então que nos identificamos,
e é então que nos vemos
o que sempre fomos:
incomparáveis!

 

 

 



 


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