Conversa de Bar

Em um bar sem número
sexta e sábado bebiam muito bem
a ponto de, dada meia-noite,
já não se saber quem era quem!

sexta andava meio puta e bebia pra esquecer
cansada de levar segunda nas costas
da empresa queria desaparecer.

“Semana é uma boa chefe”, disse sábado zen
queria manter a equipe unida,
e gostava de segunda também.

“com aquela chata eu não tenho nada a ver
quando ela chega todo mundo reclama
eu, você e domingo é que mantemos a imagem da Semana”

1789 chegou da França e entrou no papo
foi logo dando, no ato, seu clamo por mudança
um alemão era o seu desafeto
1939 foi quem quis acabar com seu mérito.

(Sua ideia era mandar o bávaro longe…lá pro milênio de 2001!)

mais uma cadeira e 18h00 é quem vem sentar
se achando a deusa da libertação
musa e ideia fixa do peão
09h00 não cansava de esculachar…

a mesa era, então,
de dias, horas e anos embriagados
todos a navegar em um mar de ufanismo
diminuindo injustiçados
e açoitando os maltratados,
só o que se bebia era malte de separatismo

Eis que segunda-feira apareceu
toda amassada e mal humorada
de tolos chamou todos:
“estamos na mesma roubada”

com cabelos abagunçados
cansada e deprimida
magoada e ressequida
pela derradeira vez disse aos desconjurados:

havia alguém que ninguém via
como o deus que criou o mundo
e na hora do pau ninguém acha o vagabundo

acima de hora, mês e dia
o criador do sistema métrico tem nome
vive por aqui e é denominado homem

põe todos a trabalhar, disse,
horas, dias, datas, anos,
como se nada mais existisse

obsessivo,
quer sempre saber
exatamente quando foi
e quando vai ser

cego,
esquece de tudo que deve importar

do ar
do sol
da chuva
do mar

chocados e absortos
pararam todos a refletir
“que coisa abominável tinham em mente!”

pouco a pouco mais soltos
o negócio era pedir a conta e partir:
ao homem ficou o mais absoluto e interminável

PRESENTE.



 


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