criatividade

 

Sete bilhões de pessoas.
Sete bilhões de pessoas. Todas diferentes.
Mil vezes mais que sete milhões de pessoas.
E nem um caso sequer de igualdade acidental.
Nem mesmo dividindo os hemisférios
leste e oeste com três milhões e meio para cada.
Nada. Nem uma cópia jogada ao léu em algum canto.
Nenhum homem ou mulher copiado às pressas
como fazem os adolescentes no colégio.
Nada.
Não há notícia sequer de um esbarrão acidental num aeroporto
entre pessoas de íris iguais
entre pessoas de vozes iguais.
quem dera de pessoas integralmente iguais.
Nada.
Não é um milhão nem cem milhões.
São sete bilhões.
Mil vezes mais que sete milhões de pessoas.
E você já cansado desse poema,
dizendo que “já entendeu”
e repetindo com desdém que “são sete bilhões de pessoas”!
Vaticina então que o autor não tem criatividade.
Só que um poema assim,
ninguém jamais escreveu.
e como você, ninguém jamais o leu.
Poderiam ser sete bilhões de poemas
Para sete bilhões (menos um) leitores.
Um banquete de combinações para cálculo dos matemáticos.
E enquanto isso a natureza a se divertir criando mais e mais seres.
Todos diferentes.
Ah, pobre e desatento poeta:
esqueci-me dos que se foram
diferentes face aos de sua época
diferentes face aos de seu passado
diferentes face aos de seu futuro.
Em 1800 era só um bilhão.
Cá pra nós, a natureza parece não se intimidar com encomendas de novos exemplares.
Parece uma menina a se divertir criando tipos cada vez mais belos.
E nós às vezes achamos que não há solução para nossa vida.
E a natureza lá, criando talvez o vigésimo bilionésimo ser:
diferente de todos os outros.
Não é possível que nossa natureza de dentro seja tão pequena.
Não é possível que nossa natureza de dentro seja como a de outros – se a de fora não é.
Somos fruto da mais absoluta e genuína criatividade.
Somos nós mesmos a mais absoluta e genuína criatividade.



 


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