Fazenda Aconchegada

Tendo como certo que não escolhemos a bagagem que teremos de carregar na vida, Fazenda Aconchegada apresenta, de um lado, situações de conflitos de valores e, de outro, casos de violência em que se veem imersos seus personagens. Na trama, cada um acaba, por ações e omissões próprias, forjando para si desfechos muito distintos. Hermeto, abandonado ainda pequeno na cidade e crescido no campo, se depara na vida adulta com questionamentos sobre o que aprendera no meio rural, entre a ordenha de leite e a plantação de café, e se vê inferiorizado diante da potência e da cultura de uma cidade grande. Em paralelo, situações de banalização do valor do ser humano fazem os próprios personagens buscarem sentido para sua existência.

Abaixo, texto que consta da contracapa do livro:

Fazenda Aconchegada. Em uma análise despretensiosamente simbólica, a evocação de um local no campo já nos induz a crer em aconchego, conforto e paz. Porém, a grande percepção que se tem durante a leitura da obra de Douglas é exatamente a de inquietação. Não vemos na obra a paz bucólica dos Românticos ingleses, mas exatamente o contrário: se tristeza e angústia fizerem morada em um coração, não importa onde a pessoa estará, pois a dor será contínua.

É essencial notar que, embora haja, de fato, um pesar contínuo nas páginas de Fazenda Aconchegada, não é um livro que trata somente da dor. Há momentos de extrema ternura e relances de esperanças entre os personagens.

A metafísica desta obra evoca o período greco-romano, quando o objetivo principal de um homem era buscar a essência das coisas. E é por isso que a obra torna-se um desafio ao leitor: caso queira lê-la como uma mera compilação de histórias dentro de uma história, poderá e sairá satisfeito com a leitura. Porém, caso ele queira ler a célula de cada letra, talvez se perceberá diante de questionamentos e angústias da própria alma, desprendidos nos verbos dos personagens, e verá que uma obra não pode findar em sua última página.

Caio Cardoso Tardelli

Poeta e ensaísta. Autor de “Perfumes que Ficam” (Kazuá, 2015)

Confira aqui a primeira página do livro




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