“poeta”

imagina que chatice
se o poeta assim eu visse
na vida real dizendo
sempre e sempre
as coisas que dele ando lendo.

Seria mais ou menos assim:

tomaria consigo um vinho
e ele então diria da minha vida
uma triste existência vazia
um barco a deriva em calmaria

ou que minha solidão
é meu encontro, minha fusão
a condição essencial
pra transpor meu astral.

ou quem sabe iríamos jogar bola
e ele julgaria a diversão
pagã e tola

ou se todavia feliz e abençoado pelo sol
declamaria a fraternidade,
expressão maior do esporte,
uma alegoria, um ensinamento, um norte.

enquanto isso a
garrafa secaria.
a bola passaria.
o jogo acabaria.

imagina que chatice
vivermos com um louco
do mundo a falar sempre um pouco
como se de tudo tivesse expertise.

A poesia é como a vida.
Primeiro se vive.
Depois se explica.

 

 



 


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